"'Ela', tentava Swann perguntar o que era; pois há uma semelhança entre o amor e a morte, mais do que essas tão vagas que se repetem sempre: a de fazer-nos interrogar mais fundo, no medo de que nos fuja a sua essência, o mistério da personalidade. E aquela doença que era o amor de Swann de tal modo se multiplicara, estava tão estreitamente ligada a todos os hábitos de Swann, a todos os seus atos, a seu pensamento, a sua saúde, a seu sono, a sua vida, até ao que ele desejava após a morte, era de tal sorte um só todo com ele, que não lho poderiam arrancar sem o destruir quase por completo: como se diz em cirurgia, o seu amor não era mais operável."
Marcel Proust, Em busca do tempo perdido, No caminho de Swann.
.